Este blog encontra-se inativo. Se quiser continuar lendo o que escrevo me acompanhe aqui:http://sheilaromejon.blogspot.com.br/

domingo, 10 de julho de 2011

Teoria Geral das Neuroses - Parte 6


O modelo teórico de Freud para o desenvolvimento da libido, apresentado no post anterior, tem grande importância para a compreensão do surgimento das neuroses.

Nem todos os indivíduos passam por todas as fases do desenvolvimento sexual e os que passam por todas elas não necessariamente o fazem da mesma maneira.

Alguns impulsos sexuais podem ficar presos a estágios anteriores do desenvolvimento (fixação), enquanto outros atingem o objetivo final.

Em outras situações, um impulso que prosseguiu adiante encontra grandes obstáculos impedindo sua satisfação e pode retornar a uma fase anterior do desenvolvimento (regressão). Esta regressão pode se apresentar também com relação aos objetos de desejo primários (pai/mãe) - é o que acontece no caso da histeria.

Na neurose obsessiva, a configuração mais frequente é de regressão da libido à fase anal. Mas Freud chama a atenção para uma outra questão: a repressão. Regressão da libido sem repressão não dá origem à neurose, mas à perversão.

Um outro componente importante na neurose é o conflito mental: desejos contraditórios que se opõem causando sofrimento. O quão suscetível um indivíduo estará a este conflito depende da maturidade do ego, da capacidade de aceitar o princípio da realidade e não se deixar controlar pelo princípio do prazer.

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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Teoria Geral das Neuroses - Parte 5


Freud explica o desenvolvimento da libido a partir do nascimento do bebê. Neste primeiro momento, como citado anteriormente, o prazer é oral. Posteriormente a criança passa para a fase anal (Freud chama esta fase de sádica-anal), em seguida a fálica, latência e por fim a genital.

Durante a fase fálica aparece um componente de extrema importância para a Psicanálise: o Complexo de Édipo. O menino toma a mãe como objeto para o seu desejo (e a menina, o pai). Entretanto, neste momento o mecanismo da repressão já atua no psiquismo da criança, escondendo o intuito sexual por trás deste desejo.

Para Freud, este desejo incestuoso - mesmo que não consumado - é uma das mais importantes causas do sentimento de culpa que frequentemente perturba os neuróticos.

Ele também chama a atenção para um ponto muito interessante referente à infância. Ele explica que a ordem de nascimento da criança entre os irmãos e irmãs é de grande importância para o seu desenvolvimento. Um menino, ao presenciar o nascimento do irmão mais novo pode vê-lo como mais um rival na disputa pelo amor da mãe. Uma menina caçula, entre outros irmãos homens mais velhos, pode tomá-los como substitutos do pai na posição de objeto de desejo. Certamente esta é uma questão a ser considerada no curso de uma análise na fase adulta.

Continua...

domingo, 29 de maio de 2011

Apologies

Comecei este ano de 2011 cheia de planos, idéias e novos projetos, e acabou que meu blog ficou desamparado.
Mas está acabando o semestre na faculdade e ainda em junho pretendo retomar minhas leituras e posts sobre Psicanálise.
Aliás, tenho estudado e pensado em muitas outras coisas, talvez nasça um novo blog também, além deste que pretendo continuar.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Teoria Geral das Neuroses - Parte 4

Se já não bastasse atribuir os sintomas neuróticos aos desejos sexuais reprimidos, Freud diz que "as tendências às perversões sexuais têm suas raízes na infância."

Dá pra entender por que ainda hoje há tanta resistência à aceitação das descobertas da Psicanálise? Onde já se viu falar que criança tem vida sexual?

Como o próprio Freud diz ironicamente: "Espera-se que as crianças sejam puras e inocentes; aquele que disser algo diferente disso deve ser condenado por blasfêmia contra os sentimentos mais sagrados da humanidade."

Quem nunca viu um bebê mamando até satisfazer sua fome e depois adormecendo com uma carinha feliz com o seio da mãe na boca, sem que esteja sugando uma gota de leite sequer? Sua motivação para continuar sugando o seio claramente não é fome, mas a satisfação de um outro desejo. Um desejo sexual, tendo como zona erógena a boca e como objeto sexual o seio (objeto que em seguida pode ser substituído pelo próprio dedo).

As crianças também sentem prazer enquanto urinam e evacuam, e planejam estes atos de modo a obter o máximo de gratificação.

Não só as crianças têm vida sexual, mas entram no grupo dos "pervertidos", pelo tipo de prazer que buscam (ver post anterior).

Freud finaliza este capítulo sobre a vida sexual do homem dizendo o seguinte: "Estendemos o significado do termo 'sexualidade' incluindo nele a vida sexual de pessoas pervertidas e também das crianças; isto é, restauramos a verdadeira amplitude de seu significado. O que é chamado de sexualidade fora da psicanálise aplica-se apenas à vida sexual restrita que está subordinada à função reprodutiva e é chamada de normal."

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Teoria Geral das Neuroses - Parte 3

Dizer que o sintoma neurótico é um substituto para um desejo reprimido, tudo bem. O problema para a aceitação da Psicanálise começa quando Freud diz que "estas pessoas [os neuróticos] ficaram doentes devido à privação que sofreram quando a realidade tirou deles a gratificação de seus desejos sexuais."

Quer dizer, a base para toda neurose é a repressão de um desejo sexual? Sim, é isso que Freud defende e reconhece que "é possível fazer todos os tipos de objeções à proposição de que os sintomas neuróticos sejam substitutos das gratificações sexuais."

Para defender seu ponto ele fala sobre a importância de se entender o que significa o termo "sexual".

No senso comum, "sexual" é algo que combina referências às diferenças entre os sexos com excitação, prazer, gratificação, função reprodutiva, idéia de algo impróprio e necessidade de esconder esse algo.

Esta definição colocaria muita gente na categoria de "pervertidos" (que não têm uma vida sexual "normal"): homossexuais, pessoas que praticam sexo oral ou anal, podólatras, pessoas que se excitam com fezes e urina, fetichistas, voyeurs, exibicionistas, sádicos, masoquistas.

Por mais espanto que isso tudo possa causar, há alguma dúvida de que todas estas coisas representam as atividades sexuais destas pessoas?

"Se não entendermos estas formas mórbidas [sim, ele fala mórbidas] de sexualidade e não pudermos relacioná-las com o que é normal na vida sexual, então também não poderemos entender a sexualidade normal." (Freud)

Continua...