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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Teoria Geral das Neuroses - Parte 4

Se já não bastasse atribuir os sintomas neuróticos aos desejos sexuais reprimidos, Freud diz que "as tendências às perversões sexuais têm suas raízes na infância."

Dá pra entender por que ainda hoje há tanta resistência à aceitação das descobertas da Psicanálise? Onde já se viu falar que criança tem vida sexual?

Como o próprio Freud diz ironicamente: "Espera-se que as crianças sejam puras e inocentes; aquele que disser algo diferente disso deve ser condenado por blasfêmia contra os sentimentos mais sagrados da humanidade."

Quem nunca viu um bebê mamando até satisfazer sua fome e depois adormecendo com uma carinha feliz com o seio da mãe na boca, sem que esteja sugando uma gota de leite sequer? Sua motivação para continuar sugando o seio claramente não é fome, mas a satisfação de um outro desejo. Um desejo sexual, tendo como zona erógena a boca e como objeto sexual o seio (objeto que em seguida pode ser substituído pelo próprio dedo).

As crianças também sentem prazer enquanto urinam e evacuam, e planejam estes atos de modo a obter o máximo de gratificação.

Não só as crianças têm vida sexual, mas entram no grupo dos "pervertidos", pelo tipo de prazer que buscam (ver post anterior).

Freud finaliza este capítulo sobre a vida sexual do homem dizendo o seguinte: "Estendemos o significado do termo 'sexualidade' incluindo nele a vida sexual de pessoas pervertidas e também das crianças; isto é, restauramos a verdadeira amplitude de seu significado. O que é chamado de sexualidade fora da psicanálise aplica-se apenas à vida sexual restrita que está subordinada à função reprodutiva e é chamada de normal."

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Teoria Geral das Neuroses - Parte 3

Dizer que o sintoma neurótico é um substituto para um desejo reprimido, tudo bem. O problema para a aceitação da Psicanálise começa quando Freud diz que "estas pessoas [os neuróticos] ficaram doentes devido à privação que sofreram quando a realidade tirou deles a gratificação de seus desejos sexuais."

Quer dizer, a base para toda neurose é a repressão de um desejo sexual? Sim, é isso que Freud defende e reconhece que "é possível fazer todos os tipos de objeções à proposição de que os sintomas neuróticos sejam substitutos das gratificações sexuais."

Para defender seu ponto ele fala sobre a importância de se entender o que significa o termo "sexual".

No senso comum, "sexual" é algo que combina referências às diferenças entre os sexos com excitação, prazer, gratificação, função reprodutiva, idéia de algo impróprio e necessidade de esconder esse algo.

Esta definição colocaria muita gente na categoria de "pervertidos" (que não têm uma vida sexual "normal"): homossexuais, pessoas que praticam sexo oral ou anal, podólatras, pessoas que se excitam com fezes e urina, fetichistas, voyeurs, exibicionistas, sádicos, masoquistas.

Por mais espanto que isso tudo possa causar, há alguma dúvida de que todas estas coisas representam as atividades sexuais destas pessoas?

"Se não entendermos estas formas mórbidas [sim, ele fala mórbidas] de sexualidade e não pudermos relacioná-las com o que é normal na vida sexual, então também não poderemos entender a sexualidade normal." (Freud)

Continua...