Este blog encontra-se inativo. Se quiser continuar lendo o que escrevo me acompanhe aqui:http://sheilaromejon.blogspot.com.br/

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Isolando ideias

Na discussão do caso de Miss Lucy R., que Freud apresenta no volume 2 de sua obra completa, ele faz algumas análises bem interessantes.

Trata-se de mais um caso de histeria, em que a paciente perdeu o sentido do olfato. Durante as sessões de análise eles descobrem a ideia traumática que deu início ao processo de adoecimento da paciente (uma conversa em que Lucy é repreendida por seu patrão).

Freud explica que a lembrança desta conversa é incompatível com o ego da paciente. Para defender-se, a lembrança é "expulsa" da consciência e em seu lugar surge o sintoma.

Agora a parte que eu achei mais interessante: esta ideia expulsa não é aniquilada, ela apenas é isolada psiquicamente, ou seja, fica guardada em uma outra instância, no inconsciente da paciente. E, apesar de não ser acessível à consciência, esta ideia reprimida pode ser "ativada" em situações que Freud chama de "momentos auxiliares" (já ouvi também a expressão "trauma secundário"), ou seja, situações que causam sentimentos semelhantes àqueles ligados ao trauma inicial. É de se imaginar que estes momentos façam com que o estado de saúde do indivíduo, que já é frágil, se agrave ainda mais.

Isso me faz lembrar de conversas em que alguém vem desabafar, compartilhar uma experiência incômoda, um sentimento ruim, um medo e o outro diz "ah, deixa isso pra lá" ou "esquece isso". Este tipo de "escuta" (acho que surdez seria mais apropriado) incentiva o isolamento da ideia. Esta ideia ficará escondidinha, mas os sentimentos a ela relacionados poderão ser acessados diversas vezes em inúmeras situações, causando muito mais danos e sofrimento do que se fosse encarada de frente, escutada e acolhida.