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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Pacientes "analisáveis"

Estava dando uma organizada no armário e reencontrei um livro que comprei há algum tempo, mas que entrou na fila das leituras acumuladas e acabou ficando esquecido num canto. O nome é "A Técnica e a Prática da Psicanálise" do Ralph Greenson.

Comecei a folhear e encontrei respostas para algumas questões que tinham passado pela minha cabeça nos últimos dias. O livro é ótimo, escrito numa linguagem simples, bem didático, do jeito que eu gosto!

Uma pergunta que eu vinha me fazendo era: será que todas as pessoas são candidatas a uma terapia psicanalítica? De acordo com o autor a resposta é não.

Para Greenson, o tratamento psicanalítico é doloroso, profundo, sofrido e geralmente demorado. Para que o paciente tenha motivação para enfrentar este processo é necessário que seus sintomas tragam uma quantidade de sofrimento considerável, ou seja, seu estado psíquico atual deve representar uma carga pesada o suficiente para justificar tamanho investimento e disposição! Em sua opinião, problemas triviais e situações que exijam resultados rápidos não trazem a motivação necessária para este tipo de tratamento.

Outro ponto que o autor levanta diz respeito à situação de vida do paciente. Greenson entende que "não se pode fazer um trabalho analítico num campo de batalha. É preciso que haja oportunidade para a contemplação e introspecção fora da sessão analítica".

Apesar de eu adorar a Psicanálise e tê-la adotado como abordagem para a minha prática profissional, acredito que é preciso ter humildade para reconhecer a minha incapacidade para ajudar o paciente quando ele não se adapta à minha forma de trabalho e encaminhá-lo a um terapeuta cuja teoria e técnica possam atender àquilo que ele precisa naquele momento. Não acho que existam pacientes "não analisáveis" mas acredito que em alguns momentos a pessoa pode não estar disposta a cutucar as feridas e olhar para dentro de forma mais profunda.

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