Este blog encontra-se inativo. Se quiser continuar lendo o que escrevo me acompanhe aqui:http://sheilaromejon.blogspot.com.br/

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Quando o paciente quer interromper o processo terapêutico - parte 1

Queria falar sobre uma questão delicada: e quando o paciente quer interromper a terapia? Já aconteceu comigo e já ouvi relatos semelhantes de outras pessoas sobre situações desconfortáveis envolvendo este tema.

Na primeira vez em que isso aconteceu eu já estava em terapia há algum tempo, mais de um ano. No começo eu gostei bastante, a terapeuta me ajudou muito, mas com o passar do tempo comecei a sentir que não progredia. Eu percebia que conseguia resolver mais coisas pensando sozinha em casa do que na terapia. Eu queria parar, mas não sabia como comunicar isso à terapeuta, tinha medo de que ela ficasse chateada comigo, tinha medo de que ela ficasse insistindo para eu continuar. Eu não lembro exatamente o que foi que falei para ela na época, mas sei que inventei alguma desculpa, não tive coragem de dizer que ela não estava mais me ajudando como antes.

Na segunda vez eu fui a uma primeira consulta com uma outra psicóloga. Não gostei dela logo de cara e conforme a sessão ia se desenrolando eu ia gostando menos. Quando terminou não tive coragem de dizer que não tinha gostado e que não voltaria mais. Deixei o horário marcado para voltar na semana seguinte. Durante a semana pensei várias vezes em ligar para ela, inventar uma desculpa e desmarcar; mas depois achei melhor encarar o problema de frente, ir até lá e dizer que eu não tinha gostado da sessão anterior e que não queria continuar. E foi o que fiz (não, não foi fácil, foi gaguejando e suando frio). Ela me disse que eu "tinha que ter fé que a terapia daria certo". E eu tive a certeza de que não daria certo, agradeci e fui embora. Não tenho dúvida de que este "rompimento" com ela foi terapêutico para mim, nele enfrentei alguns fantasmas que me atormentaram por muito tempo em outras relações. 

Das  histórias que ouvi de outras pessoas que decidiram interromper a terapia, das duas uma: ou a pessoa inventa uma desculpa para não falar a verdade, ou fala verdade e ouve como resposta uma abobrinha qualquer, uma acusação, uma interpretação tosca. É muito raro encontrar um psicólogo que compreenda e aceite a escolha do paciente nesta questão.

Eu vou dar uma sugestão. Se você estiver em dúvida se deve continuar ou não o processo terapêutico, tente compartilhar este sentimento com seu terapeuta. A maneira como ele reagir a isso te dirá se continuar com ele vale a pena ou não.

Tem outras coisas que quero falar sobre este assunto, fazendo uma ponte com a teoria psicanalítica, mas hoje não vai dar tempo, vai ficar para a semana que vem ;)

Nenhum comentário:

Postar um comentário