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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Resistência

Ralph Greenson, em seu livro A Técnica e a Prática da Psicanálise - Vol. 1, expõe e dá exemplos de diferentes manifestações das resistências (falei mais sobre o conceito de resistência neste post). Ele explica que antes de analisar uma resistência é importante ser capaz de reconhecê-la. 

Alguns sinais do paciente que podem indicar resistência ao processo terapêutico:

- Silêncio ou falta de vontade de falar: o paciente não se mostra disposto a compartilhar o que se passa em sua mente (é a forma mais simples e comum de resistência);
- Ausência de afeto: monotonia ou apatia na fala, discordância entre aquilo que é dito e a emoção que é manifestada (ex.: a pessoa fala sobre uma experiência constrangedora ou desagradável dando gargalhadas);
- Postura: ausência ou excesso de movimentos, discrepância entre a postura e o conteúdo verbal (ex.: o paciente diz estar tranquilo e relaxado com relação a uma determinada situação, mas enquanto fala rói as unhas e se contorce na cadeira);
- Fixação no tempo: ausência de oscilação da narrativa entre o passado e o presente (ex.: o paciente fala continuamente sobre algo que está acontecendo no momento sem qualquer referência a acontecimentos passados);
- Trivialidades: conversas superficiais sobre assuntos que não levam a qualquer tipo de reflexão ou introspecção;
- Assuntos evitados: o paciente foge de determinados assuntos ou evita pronunciar certas palavras (ex.: não citar o nome dos órgãos sexuais, utilizar eufemismos);
- Rigidez: rotinas estabelecidas pelo paciente durante as sessões (ex.: começar a sessão sempre com um mesmo assunto, como os sonhos que teve, "colecionar" assuntos interessantes para evitar os silêncios durante o atendimento);
- Ausência de sonhos;
- Tédio: o paciente mostra-se entediado e sem interesse pela sessão;
- Alegria constante: sessões sempre leves e alegres;
- Ausência de mudança: os sintomas e comportamentos do paciente permanecem iguais.

E por que eu resolvi escrever sobre isso? Por que é importante que o terapeuta saiba identificar a resistência do paciente? Para virar para ele e dizer "ah, isso é resistência, você está evitando encarar seu problema"? NÃO! A resistência é uma defesa, uma forma do paciente se proteger daquilo que o faz sofrer. 

Quando o terapeuta perceber algum destes sinais é importante que ele tente identificar qual o conteúdo em sua fala (ou na fala do paciente) que precedeu esta reação. No fundo, o que o paciente está querendo dizer é "eu não estou pronto para falar sobre este assunto". A resistência faz parte do processo terapêutico e deve ser respeitada.

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