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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

A minha Psicanálise

Ouço frequentemente as pessoas caracterizando os psicanalistas como profissionais frios, formais e distantes, que não expressam qualquer tipo de emoção para o paciente. Talvez alguns sejam mesmo, mas não acho que deva ser assim.

Freud tinha esta postura estritamente técnica. Ele era médico neurologista no final do século XIX, com uma visão mecanicista muito forte. Não devia ser natural para ele migrar da atitude médica determinista para uma postura mais empática e acolhedora. Ele via o paciente como uma máquina que precisava ser investigada, analisada, explicada e consertada.

Só que desde que Freud criou a Psicanálise muita coisa mudou. Vários pensadores de diferentes abordagens questionaram ou acrescentaram novos conhecimentos àquilo que ele produziu. Se nos limitarmos a simplesmente reproduzir sua teoria e técnica estaremos perdendo uma grande oportunidade de melhorar nossa atuação.

Eu ainda não li tudo o que ele escreveu, mas apesar de algumas pequenas discordâncias, grande parte de sua teoria fazem muito sentido para mim. Ele foi genial na definição de vários conceitos que continuam válidos até hoje! A base teórica da Psicanálise que eu pratico é, sem dúvida, freudiana.

Já as técnicas que ele utilizava para colocar esta teoria em prática mudaram bastante durante a sua vida profissional. E se estivesse vivo nos dias de hoje certamente teria encontrado outros caminhos  para aplicar tudo o que descobriu.

Ele costumava atender os pacientes numa frequência alta, várias vezes por semana e vários psicanalistas continuam atuando assim até hoje. Mas por quê? Freud fazia isso porque ele analisava principalmente as transferências que aconteciam na relação terapêutica. Era necessário um convívio maior com o paciente para que ele transferisse para o analista sentimentos do passado. Só que o paciente não transfere apenas para o analista. A transferência se manifesta em inúmeras situações do dia a dia, com as mais diferentes pessoas. Se o terapeuta se dispõe a, junto ao paciente, analisar aquilo que acontece também fora do consultório em uma única sessão semanal ele tem material suficiente para trabalhar, sem a necessidade de realizar tantas sessões. Continuar atuando como Freud neste aspecto torna o tratamento oneroso para o paciente e bastante lucrativo para o analista.

A técnica que eu utilizo é a loganalítica, desenvolvida pelo psicanalista brasileiro Luís César Ebraico e que tem como foco os processos de comunicação. Escrevi sobre a visão loganalítica da neurose aqui e pretendo falar mais sobre ela em posts futuros.

Imagem copiada deste link.
E quanto à postura? Como deve ser o relacionamento do terapeuta com o paciente? Eu gosto muito da Abordagem Centrada na Pessoa (ACP) do Carl Rogers, psicólogo humanista americano. Como ele mesmo diz, a ACP é um jeito de ser, uma forma de relacionar-se com os outros. É uma postura acolhedora, mais próxima e afetiva. Ela tem como base três atitudes facilitadoras: autenticidade (ser genuíno), aceitação positiva incondicional (aceitar os sentimentos do outro sejam eles quais forem), empatia (compreender o outro, ver o mundo pelos olhos dele). Eu tento, não só na minha atuação profissional, mas na minha vida praticar estas três atitudes. Nem sempre é fácil, nem sempre consigo, mas é o que busco fazer a cada atendimento e a cada conversa. [Para quem tiver interesse, dois livros ótimos dele são Um Jeito de Ser e Tornar-se Pessoa, escritos de forma simples, acessível, uma delícia de ler!]

E é assim que me defino enquanto psicóloga, freudiana na teoria, loganalítica na prática, rogeriana na postura. E aberta a aprender coisas novas e a me redefinir quantas vezes forem necessárias, sem medo.

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