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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Como se proteger de pessoas manipuladoras

Já aconteceu de você estar conversando com alguém, compartilhando um descontentamento seu com algo que ela tenha feito e a pessoa começar a diminuir o que você está sentindo, achar que você está exagerando, questionar os motivos para você se sentir daquela forma e duvidar das suas lembranças de acontecimentos passados a ponto de você achar que está enlouquecendo?

Pode acontecer com todo mundo, mas as mulheres são as principais vítimas deste tipo de comportamento que em inglês é chamado de "gaslight" (a querida Letícia Penteado fala frequentemente sobre isso no blog dela - foi com ela que conheci este termo -  e neste link tem uma explicação mais detalhada sobre a origem dele e o que significa).

Em geral é assim: a pessoa fala sobre como está se sentindo, o outro diz que ela está exagerando, a chama de dramática, sensível demais, diz que é a TPM, ela se cala (ou se desespera, começa a gritar, fica agressiva - depende do temperamento de cada um) e fica se achando estúpida por se sentir daquela maneira. 

É uma forma muito cruel de manipulação em que nos desconectamos do que sentimos e tomamos como verdade o que o outro está dizendo. O outro se coloca como vítima do nosso desequilíbrio e nós compramos a história e ficamos com a culpa.

Eu sei que no calor do momento é difícil colocar os pés no chão, analisar o que está acontecendo e responder de forma serena, mas é possível. Quando a gente conhece os principais argumentos utilizados por quem nos manipula fica mais fácil reconhecer o que está sendo feito e ampliar nosso repertório de respostas.

O César Ebraico, criador da Loganálise, em seu livro A Nova Conversa fala, entre outras coisas, sobre como lidar com um interlocutor que insiste em deslegitimar nossos desejos e emoções.

De acordo com o ele, as pessoas que querem nos impedir de expressar livremente o que sentimos costumam nos calar impondo uma ou mais destas quatro exigências sobre aquilo que dizemos: que seja relevante, útil, racional ou agradável. E ele apresenta exemplos ótimos de cada uma das falas e de boas respostas para se dar em cada caso:

"Ser relevante
(A) – Sabe que eu não gosto nem um pouco daquele seu amigo?
(B) – Na verdade, você gostar ou não gostar dele não tem a menor
importância.
(A) – Se eu gostar ou não gostar dele tem importância, eu não sei, o
que certamente tem importância é, sempre que eu quiser, poder
falar isso.

Ser útil
(A) – Sabe que eu não gosto nem um pouco daquele seu amigo?
(B) – Não adianta nada você não gostar dele. Vai continuar sendo
meu amigo assim mesmo.
(A) – Bem, se adianta “pra fora” eu gostar dele ou não, eu não sei. Sei
é que “pra dentro” me adianta muito eu poder falar sobre isso!

Ser racional
(A) – Sabe que eu não gosto nem um pouco daquele seu amigo?
(B) – Mas você não tem nenhuma razão para não gostar dele!
(A) – Eu não disse que tenho razão! Eu disse simplesmente que
não gosto...

Ser agradável
(A) – Sabe que eu não gosto nem um pouco daquele seu amigo?
(B) – Acho muito desagradável você não gostar de meus amigos..
(A) – Compreendo. Aliás, eu também, mas prefiro que você saiba
quando isso acontece."

Pelos exemplos acho que fica clara a importância de manter-se conectado com aquilo que se sente e de não abrir mão do direito de sentir e de expressar este sentimento. Uma dica, quando no meio da conversa você notar que estão tentando te manipular, respire fundo, espere alguns segundos, perceba o que está sentindo e fale. Nossos sentimentos mudam no decorrer da conversa, coisas novas se somam àquilo que estava presente inicialmente. Ouça o que o outro está dizendo, mas não deixe de prestar atenção ao que acontece dentro de você, como você reage ao que está sendo dito. E expresse o que sente, não deixe de expressar. Sua saúde mental agradece.

Obs.: a Loganálise fala também sobre como se expressar de forma saudável, escreverei sobre isso em breve ;)

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