Este blog encontra-se inativo. Se quiser continuar lendo o que escrevo me acompanhe aqui:http://sheilaromejon.blogspot.com.br/

domingo, 22 de março de 2015

Um cara chamado Winnicott

Donald Woods Winnicott (1896-1971), pediatra e psicanalista inglês, escreveu:

"... não pretendo certamente defender o ponto de vista de que à jovem mãe seja essencial a leitura de livros sobre os cuidados a dispensarem a seus filhos. Isso implicaria estar a mãe mais cônscia e segura de seu estado do que realmente é o caso. Ela necessita de proteção e esclarecimentos; precisa do melhor que a ciência médica pode oferecer no tocante aos cuidados físicos. Necessita de um médico e de uma enfermeira que sejam seus conhecidos e em quem deposite confiança. Precisa também da dedicação de um marido e experiências sexuais que a satisfaçam. Mas não necessita, forçosamente, que lhe expliquem antecipadamente o que se sente ao ser mãe."

"... todo indivíduo mentalmente são, todo aquele que se sente como pessoa no mundo e para quem o mundo significa alguma coisa, toda pessoa feliz, está em infinito débito com uma mulher."

"...o resultado de tal reconhecimento do papel materno, quando surge, não será gratidão nem mesmo louvor. O resultado será certo abrandamento, em nós próprios, de uma sensação de medo. Se a nossa sociedade demora em reconhecer plenamente essa dependência que constitui um fato histórico na fase inicial do desenvolvimento de todo indivíduo, ficará um obstáculo ao conforto e à saúde completa, um obstáculo que resulta de um medo. Se não houver um verdadeiro reconhecimento do papel da mãe, então permanecerá em nós um vago medo de dependência."

"O asseio administrativo, as leis da higiene, uma louvável preocupação em incentivar a saúde física, estas e muitas outras coisas interpõem-se entre a mãe e seu bebê e é improvável que as próprias mães se ergam num esforço conjugado para protestar contra essa interferência. Escrevo este livro porque alguém deve agir a favor das jovens mães que estão tendo seus primeiros ou segundos bebês e que se encontram, necessariamente, num estado de dependência. Espero levar-lhes apoio à confiança que depositam em suas tendências naturais, enquanto, ao mesmo tempo, rendo completo tributo à habilidade e zelo dos que prestam ajuda quando a mãe e o pai ou os vários substitutos paternos necessitem de quem os auxilie."

"Para começar, você ficará aliviada, leitora, quando souber que não tenciono explicar o que tem a fazer. Sou homem e, portanto, jamais poderei saber, na verdade, o que se sente ao ver ali embrulhado no berço uma parcela do meu próprio ser, um pedaço de mim vivendo uma vida independente, mas, ao mesmo tempo, dependente e tornando-se, pouco a pouco, numa pessoa. Só uma mulher pode sentir isso e, talvez, só uma mulher possa até imaginar essa experiência quando, por infortúnio de uma ou outra espécie, lhe falta a prova real e concreta."

"É vitalmente importante que se entenda o papel desempenhado pelos que se preocupam com o bebê, a fim de que possamos proteger a jovem mãe de tudo quanto pretenda interpor-se entre ela e seu filhinho. Se ela não compreende aquilo que realiza tão bem, está sem meios para defender a sua posição e a um passo de estragar facilmente a sua tarefa, tentando fazer o que lhe dizem que deve ser assim, ou o que a sua própria mãe fez, ou o que os livros afirmam.


Neste ponto os pais intervêm, não só pelo fato de que podem ser boas mães por períodos limitados de tempo, mas porque também podem ajudar a proteger a mãe e o bebê de tudo o que pretenda interferir no vínculo entre ambos que é a essência e a própria natureza do cuidado materno."

O nome do livro é "A criança e seu mundo" e ele fala tudo isso só nas primeiras páginas. Sabe quando você começa a ler e se pergunta "como eu não li isso antes?!". É essa a minha sensação.

O Winnicott é referência em psicanálise infantil. Apesar de ter estudado sobre ele na faculdade, me dei conta agora de que nunca li um livro inteiro dele! Por algum motivo não me chamou a atenção. O meu momento atual, mãe de um bebê de dez meses, me faz querer devorar o livro inteiro em um dia!

Assim que avançar nos capítulos escreverei mais sobre ele. E fica aqui a minha recomendação de leitura para grávidas e puérperas. É um livro delicioso!

Nenhum comentário:

Postar um comentário