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domingo, 5 de abril de 2015

A ansiedade do terapeuta

Eu me lembro de uma supervisão do estágio de Psicologia Clínica na faculdade em que eu estava super frustrada. A minha paciente que na semana anterior havia tido um insight (aquele estalo que você tem e tudo parece fazer sentido) e tinha saído da sessão resolvida a mudar várias coisas em sua vida, voltou naquela semana contando novamente tudo o que ela já havia falado deste o começo da terapia, tudo o que a incomodava e que queria mudar. Parecia que ela tinha esquecido o que tinha decidido fazer na sessão anterior. Eu fiquei ouvindo sem saber muito bem o que dizer.

Na supervisão me queixei à professora supervisora dizendo que eu não entendia o que tinha acontecido. Se ela já sabia como resolver o problema dela por que ela não resolvia? A supervisora me deu um puxão de orelha: "Ela vai resolver no tempo dela, não no seu tempo. Segura a sua ansiedade".

Eu percebi que tinha uma visão idealizada da terapia (e muitos pacientes também têm). A gente acha que depois de algumas sessões tudo passa a fazer sentido, uma mudança marcante e transformadora acontece, o terapeuta dá alta para o paciente e todos vivem felizes para sempre. Mas não é assim. Ou raramente é assim.

Estes são os casos que encontramos nos livros, aqueles que o psicólogo escolhe a dedo para mostrar como é bom e como sua abordagem funciona. Só que ele não conta que para cada caso marcante, há uma dezena em que ele se sente impotente sessão após sessão e tem a sensação constante de que nada acontece, nada muda.

Esta mesma paciente que atendi na faculdade em uma outra sessão me disse que ela não tinha esperança de que fosse conseguir resolver a sua situação e que ir à terapia todas as semanas para desabafar como sua vida era difícil era o que deixava mais leve a sua carga e tornava possível continuar vivendo. Neste dia eu vi que a expectativa dela com a terapia era muito diferente da minha. O que eu queria e esperava dela estava além do que ela estava disposta e preparada para fazer naquele momento.

Não é fácil este tipo de atendimento, pelo menos para mim não é. Eu tenho um desejo muito forte de que o paciente mude, resolva, recomece e é difícil controlar a minha expectativa, mas isso é um problema meu, não do paciente. Sou eu quem precisa ter clareza desta minha ansiedade e me controlar para não transmitir este sentimento para o paciente pressionando-o ou cobrando para que ele tome uma atitude que não está pronto para tomar.

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