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domingo, 26 de abril de 2015

Relacionamentos abusivos

Quem nunca ouviu uma pessoa se queixando de um relacionamento repetidas vezes, dizendo o quanto o companheiro é insensível e grosseiro?

E quem nunca presenciou pessoas próximas, após ouvir este desabafo, dizendo que Fulano gosta mesmo de sofrer, pois reclama mas continua com Beltrano, não toma nenhuma atitude para sair daquela relação?

Há um conceito loganalítico que pode explicar o que acontece em muitos destes casos, a Produção Artificial de Evento (PEA).

O Luís César Ebraico define a PEA como um "sintoma em que a pessoa, contra sua vontade consciente, é compelida a reproduzir, em sua realidade atual, experiências frustrantes a que se encontra fixada".

Vou dar um exemplo para ilustrar. Vamos imaginar uma menina que na infância era tratada pelos pais de forma bastante rude, sem qualquer demonstração de carinho. Não tinha espaço para emitir sua opinião, suas vontades não eram ouvidas. Era exigido dela apenas que se comportasse e obedecesse. Além disso não convivia com ninguém com quem se sentisse à vontade para se expressar livremente e dizer como se sentia sendo tratada daquela forma por sua família. Ela cresce carregando dentro de si uma necessidade imensa de falar sobre a ausência de afeto e de carinho de que foi vítima na infância, mas não encontra escuta. As pessoas que a ouvem desabafar não dão grande importância à sua fala, dizem que já passou e que ela deve "deixar isso pra lá". Este Desejo de Palavra torna-se tão intenso que na ânsia de satisfazê-lo ela começa a, inconscientemente, buscar situações em que seja tratada de forma rude e pouco carinhosa para que possa falar sobre como se sente mal sendo tratada assim.

Quero deixar claro que a pessoa não faz isso porque quer nem porque gosta. Não é uma escolha consciente. Provavelmente ela nota (sem se dar conta) nas pessoas com as quais tem contato alguns comportamentos semelhantes àqueles das pessoas que deixaram impressas nela as memórias traumáticas e acaba se aproximando destas pessoas e criando a oportunidade de ser novamente exposta às situações que provocam sentimentos parecidos aos que se encontra fixada e sobre os quais precisa falar.

Dá para imaginar como foi a infância das pessoas que frequentemente se envolvem em relacionamentos abusivos? Dá para imaginar como é prejudicial para o futuro de uma criança crescer em um ambiente em que não é ouvida nem respeitada?

Quando ouvir uma pessoa expressando a sua insatisfação com o companheiro, antes de dar palpite sobre o que ela deve fazer, ouça. Ser acolhida é o primeiro passo para romper as amarras que a mantém presa a alguém que a maltrata.

Quando estiver conversando com seus filhos preste atenção na forma como você os trata. Quando perceber que eles foram desrespeitados por quem quer que seja, ouça, acolha, exponha a sua opinião sobre o que foi dito, defenda-os quando for o caso. Ter seus sentimentos legitimados na infância é a base para tornar-se um adulto que sabe que merece ser tratado com respeito. Sempre.

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