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domingo, 10 de maio de 2015

Feliz dia das mães

Na semana passada meu filho mais velho veio me mostrar um desenho que tinha feito na aula de matemática (era uma atividade envolvendo formas geométricas). Eu estava lendo um texto no computador.

- Mãe, olha o desenho que eu fiz.
Eu olhei para o desenho por três segundos e disse:
- Que legal! Adorei.
E enfiei a cara no computador de novo. 
Ele insistiu:
- Você percebeu que são duas setas?

Aí eu me dei conta de que tinha dado uma resposta bem preguiçosa para encerrar logo a conversa e retomar o que eu estava fazendo. Deixei o computador de lado e peguei o desenho na mão:
- Verdade, tem uma seta apontando pra cima e outra pra baixo. E esta aqui está na frente e a outra atrás, né?
- É. Primeiro eu desenhei esta, depois a outra.
- Eu gostei das cores que você usou, o contraste ficou bonito.
- Quer ver o papel que a professora deu e como eu fiz pra chegar nesse desenho?
- Quero!
Ele foi pegar o papel com a proposta da atividade e ficamos alguns minutos conversando. No final ele pegou o desenho e saiu. Feliz por ter compartilhado comigo a satisfação dele com o que havia feito.

Imagine como seria se você encontrasse com o seu pintor preferido e ele viesse te mostrar sua última obra de arte. O que você diria quando visse a pintura? "Parabéns, você pinta muito bem!" e viraria as costas? Acho que não, né? Provavelmente você comentaria sobre algum elemento que te chamou a atenção no quadro, falaria sobre o que ele te fez pensar, sentir, demonstraria interesse pela técnica utilizada. Então por que com os nossos filhos é diferente? 

Acho que a gente (e me incluo nesta) dá respostas bem preguiçosas para as crianças. Como se aquilo fosse suficiente, como se qualquer atenção adicional não fosse necessária. Olhamos para aquilo que eles criam de forma superficial e emitimos elogios vazios. E tem mais. Muitas vezes aquilo que dizemos tem um tom avaliativo. "Muito bom!", "Ficou lindo!", "Você desenha muito bem!". É como se estivéssemos colocando nosso selinho de aprovação. 

Será que a criança continuará tendo o mesmo prazer de desenhar, escrever, pintar e a mesma alegria em compartilhar suas criações com a gente? Será que ela não se sentirá pressionada a fazer algo que seja bom e bonito aos nossos olhos para continuar recebendo elogios? Será que o valor que ela dá para aquilo que faz (e a ela mesma como pessoa) não estará condicionado ao nosso reconhecimento?

Eu acho que deveríamos trocar a avaliação e a aprovação por uma postura mais apreciativa. Deveríamos falar que aquela paisagem nos lembra um lugar onde estivemos juntos nas nossas últimas férias e perguntar se foi de lá que a criança tirou sua inspiração. Deveríamos dizer que gostamos da cor do vestido da menina e pedir para ver o lápis de cor que a criança usou para pintá-lo. Deveríamos compartilhar com a criança que temos a impressão de que está fazendo frio naquela cena que ela retratou, ou calor, ou que parece que vai chover. Deveríamos perguntar se aquela árvore que ela desenhou dá alguma fruta ou flor. Um comentário autêntico e sincero, depois de olhar para o desenho com a atenção que uma obra de arte merece.

Sim, precisa ter mais tempo para fazer isso. Cinco minutos e não cinco segundos.

Eu fico feliz que meu filho tenha insistido. Espero que ele continue insistindo e chamando a minha atenção quando eu erro. No momento em que ele deixar de fazer isso eu preciso ficar bem preocupada. Será um sinal de que ele perdeu a esperança de ter uma mãe melhor.

Feliz dia das mães!


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