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domingo, 3 de maio de 2015

Não vamos tapar o sol com a peneira

A maioria das pessoas têm uma dificuldade muito grande para lidar com a perda. A morte de alguém, o término de um relacionamento, o fim de um sonho. A tendência é sempre fazer algo para desviar a atenção daquilo que aconteceu.

A criança fica triste porque o cachorrinho de estimação morreu. O que os pais fazem? Arrumam outro cachorro para colocar no lugar do que se foi.

A pessoa termina um namoro de anos, fica mal, chorando inconsolável. O que os amigos fazem? Chamam para sair, se distrair e não pensar no que aconteceu.

O indivíduo não consegue passar no concurso para o qual estudou durante todo o seu tempo livre no último ano. O que as pessoas dizem para "consolar"? Ah, não fica assim, agora é pensar no próximo.

O que estas atitudes têm em comum? 

Em todas elas o objetivo de quem presencia o luto é tirar o foco do sentimento que se apresenta no momento, é criar uma situação agradável ou trazer um pensamento feliz no intuito de deixar a tristeza de lado.

O problema é que este lado não é o lado de fora. Muito pelo contrário. Essa tristeza deixada de lado, fica do lado de dentro, escondidinha num canto, censurada, impossibilitada de sair pela via mais saudável, que é a fala, procurando outra forma de se expressar. Não dar voz a essa tristeza é tapar o sol com a peneira.

É importante que a gente permita que a tristeza exista, que ela possa ser sentida e expressa. Não é gostoso, não é agradável, mas é preciso. 

Expressar essa tristeza, desabafar, não necessariamente fará com a pessoa fique feliz como consequência, mas a ajudará a lidar com a situação de forma mais serena. 

Como escreveu o Luis César Ebraico:

"Felicidade é algo por demais dependente de circunstâncias que escapam ao nosso controle. (...) A serenidade – não a felicidade – frente aos fatos da vida, sejam eles prazerosos ou desprazerosos, é uma das características universais da saúde psicológica (...)"

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