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domingo, 27 de setembro de 2015

O sofrimento dos outros

Estes dias eu me lembrei de um comentário que ouvi de um dos professores na faculdade e que tem se confirmado nos meus atendimentos: a pessoa que busca a ajuda do psicólogo geralmente é a mais saudável da casa.

Seja qual for a relação: namoro, casamento, pais e filhos; eu vejo histórias que se repetem. Há alguém sofrendo. Esse alguém que sofre chega com suas queixas e suas dúvidas, muitas dúvidas. É alguém que se pergunta se aquilo que está dizendo faz sentido, que se questiona se é normal sentir e pensar o que sente e pensa. Que muitas vezes tem medo de enlouquecer. E eu vejo muita coerência naquilo que a pessoa me diz. 

Essa pessoa que sofre se esforça para entender o lado do outro e para expor o seu. Mas aparentemente aquilo que a faz sofrer não gera no outro a mesma comoção. Eu sempre pergunto "você já falou para Fulano isso que acabou de me falar?". E quase sempre ouço: "sim, várias vezes". E isso mexe muito comigo.

Eu sei, toda história tem dois lados. E em se tratando de situações de conflito, as lembranças e o relato que eu ouço podem não ser totalmente fiéis àquilo que aconteceu. Mas isso pouco importa para mim. 

Independente do que aconteceu, dos fatos em si, o que a pessoa está sentindo é real. E me preocupa saber que existe alguém que ouviu tudo aquilo que ouvi, alguém que gosta e se importa com a pessoa que está ali na minha frente, e que não consegue acolher e compreender.

Eu não acho que as pessoas façam isso por maldade, não acho que seja indiferença. Eu acho que seja uma limitação mesmo, uma dificuldade em colocar as próprias convicções num cantinho por um momento e tentar escutar o outro de coração aberto. 

O César Ebraico me contou uma vez que disse para um amigo que ele não gostava de gente. O amigo ficou surpreso: "Como assim não gosta de gente? Você é psicólogo!". E o César explicou: "As pessoas que eu atendo no meu consultório são mutantes, são aquelas que perceberam que tem alguma coisa que não vai bem e querem mudar. Agora, essa gente que anda por aí sem se importar com as besteiras que fazem... Ah, desses eu não gosto não".

Eu queria muito que estas pessoas estivessem dispostas a olhar para dentro de si, a se questionar e a tirar o pó das próprias certezas. Fariam um bem enorme. Para si e para os outros.

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