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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Pode chorar

Meu filho está com 1 ano e 3 meses. Cai e se machuca o tempo todo. Comecei a reparar na minha reação quando isso acontece e não gostei do que vi.

Quando ele se machuca e sente dor, ele chora. O que eu costumava fazer? Pegava no colo e logo procurava algo para distraí-lo. Procurava um brinquedo ou um livro que ele gosta e começava: "Olha o passarinho, olha o cachorrinho!". Fazia graça para ele rir. E logo ele começava a prestar atenção no que eu estava mostrando e parava de chorar. E eu ficava aliviada, ufa, passou!

Dá um aperto no coração quando um filho chora. O choro nos mostra que está doendo. É natural que a gente queira que pare de chorar. Só que parar de chorar não significa que parou de doer ou que ele esqueceu o que acabou de acontecer. Fazer a criança parar de chorar quando ela tem vontade de chorar é reprimir a expressão do que ela sente. No caso do meu filho que ainda não fala, é reprimir a única forma que ele tem de expressar aquilo que o machuca. 

Eu fazia isso de forma automática, sem pensar, e estou tendo que prestar muita atenção para parar de fazer. Pois é, informação não é tudo, é difícil quebrar um hábito.

Outro dia eu estava observando um menino um pouco maior, de uns 3 anos, falando orgulhoso: "Eu caí e nem chorei!". E o adulto respondeu: "Você é muito forte!". Eu sei que a intenção é das melhores, mas qual a mensagem que a gente passa com essa frase? Que quem chora é fraco, que cair e chorar é ruim, que mesmo se estiver doendo é melhor engolir o choro porque isso é ser forte!

Qual a consequência disso? Quando a gente ensina a não chorar, a criança aprende a não chorar. Isso é bom? Pode até ser bom para quem está perto e não sabe lidar com o choro, mas para a criança certamente não é. 

Mas tem conserto. Vou contar uma outra cena que presenciei. Um grupo de crianças de uns 6 anos estava brincando, uma delas cai. Eu estava a alguns metros de distância e me virei para olhar quando ouvi o barulho. Parecia ter batido a cabeça no chão meio forte. A criança se levanta e finge que nada aconteceu. A cuidadora que estava ao lado, se abaixa perto dela e pergunta se machucou, ela nega, visivelmente segurando o choro. A cuidadora insiste: "Olha, pelo barulho que fez, parece que você bateu forte no chão. Se estiver doendo e você quiser chorar, você pode". A criança abraça a moça e começa a chorar. Eu quase chorei junto.

Às vezes não basta ouvir o que a criança diz. A gente precisa ter sensibilidade para ouvir o que ela não diz e deixar que ela expresse o que não estava se permitindo sentir. E não vale só para criança. Quando estou triste e vou conversar com alguém sobre o que estou sentindo, nada me faz melhor do que um "pode chorar". É infinitamente melhor do que um "não fica assim, vai passar". Recomendo.

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