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terça-feira, 24 de maio de 2016

O amor é outra coisa

Eu tenho observado que as pessoas têm chamado várias coisas estranhas de "amor".

Se a pessoa é muito ciumenta e controladora é porque ama muito.

Se continua ligando e mandando mensagens quando o outro já deixou claro que quer distância e sossego, é porque ama muito.

Se deixou todas as suas necessidades e vontades de lado e tem como única preocupação na vida fazer o outro feliz, é porque ama muito.

Eu não acho que estes comportamentos sejam provas de amor. Podem ser de insegurança, carência, baixa auto estima... Para mim, amor é outra coisa.

Eu gosto muito da definição de amor do Erich Fromm (o nome do livro é A Arte de Amar). Ainda não consegui achar algo que não esteja englobado no conceito apresentado por ele.

Para Fromm, em toda e qualquer forma de amor estão presentes quatro elementos básicos: cuidado, responsabilidade, respeito e conhecimento.

CUIDADO

Onde há amor, há cuidado. Quem ama se preocupa  ativamente (ATIVAMENTE) pela vida e pelo crescimento daquilo que ama. Os pais que amam seus filhos cuidam de sua alimentação, dão-lhe carinho. Quem ama uma planta não se esquece de regá-la. 

"(...) a essência do amor é 'trabalhar' por alguma coisa e 'fazer alguma coisa crescer', (...) amor e trabalho são inseparáveis."

RESPONSABILIDADE

Fromm explica que responsabilidade não é um dever, algo externo e imposto, mas um "ato inteiramente voluntário; é a resposta que damos às necessidades, expressas ou não expressas, de outro ser humano".
"A pessoa que ama responde".

RESPEITO

Quem ama aceita o outro como ele é, sua individualidade, suas escolhas, suas limitações.

"Se amo a outra pessoa, sinto-me um com ela, ou ele, mas com ela tal como é, não como eu necessito que seja para objeto de meu uso. "

CONHECIMENTO

Para conhecer alguém é necessário ir além daquilo que se manifesta na superfície.

"Posso saber, por exemplo, que uma pessoa está encolerizada, ainda que ela não o mostre abertamente; mas posso conhecê-la mais profundamente do que isso; sei então que ela está ansiosa e preocupada; que se sente só, que se sente culpada. Sei então que sua cólera é apenas a manifestação de algo mais profundo, e vejo-a como ansiosa e preocupada, isto é, como pessoa que sofre, em vez de como a que se encoleriza".

Dá para perceber que o amor, na visão do Fromm, não tem nada a ver com aquela coisa hollywoodiana de "fall in love", de estar andando na rua e trombar com a sua alma gêmea. O amor dá trabalho. 

Amar é interessar-se pelo que o outro diz, pelo que pensa.
Amar é querer ver o outro bem (com ou sem você).
Amar é entender que o outro é diferente de você.

Atitudes impulsivas, desmedidas, não são provas de amor, são provas de desespero. E uma pessoa que se desespera por se ver sozinha talvez não seja uma boa companhia.

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